Como surgiu a idéia do portal MIXBRASIL, como era o mercado editorial há 15 anos atrás? O site foi seu primeiro projeto voltado para o público gay?
ANDRÉ FISCHER - O MixBrasil foi o pioneiro neste segmento na América Latina. Logo após o 1º Festival MixBrasil de Cinema da Diversidade Sexual, houve uma necessidade das pessoas que viveram aquela experiência incrível e inédita no Brasil manterem contato. Eu trabalhava com computação gráfica e conhecia BBS, avô da internet, e montamos um direcionado inicialmente aos freqüentadores do Festival, mas cresceu muito e virou uma comunidade grande. Não havia mercado editorial naquela época, nenhuma revista. A Sui Generis surgiu logo depois em janeiro de 95 e no final daquele ano o Mix foi para internet também.
Quais foram às grandes conquista do portal MIX BRASIL nesses 15 anos para o público gay?
FISCHER - Hoje o MixBrasil é o maior grupo de comunicação focado no público lgbt na América latina e um dos maiores do mundo. Além do Festival de Cinema, fazemos o Mr Gay Brasil, editamos a revista Junior e outros 10 sites.
O portal mantém a mesma filosofia do inicio? O que mudou nesses 15 anos de MIX BRASIL?
FISCHER - A missão é a mesma: criar um fórum de discussões que reforce a identidade de gays e lésbicas. Com o aumento da visibilidade lgbt cresceram também as responsabilidades e a repercussão desse trabalho.
O que diferencia o portal MIX BRASIL, dos demais sites voltados para o público gay?
FISCHER - O histórico, conhecimento de causa e do mercado.
Muitas idéias e grandes projetos. Como foi o surgimento do Festival MixBrasil de Cinema da Diversidade Sexual?
FISCHER - Partiu de um programa de curtas brasileiros que montei para o New York Lesbian and Gay Experimental Film Festival, o Mix New York em 1993. A repercussão no Brasil foi grande e vieram convites para apresentar esse programa e outros curtas em várias cidades do Brasil. Assim foi feita a primeira edição do Festival. A partir do ano seguinte passamos a produzir o Mix Brasil todo no Brasil.
O Festival MixBrasil de Cinema da Diversidade Sexual chega à sua 17ª edição, quais são as novidades que esse ano traz a mostra?
FISCHER - Esse ano a produção nacional vem com um tamanho e importância ainda maiores pela primeira vez com vários longas além dos já tradicionais curtas. A Mostra Competitiva Brasil terá premiação maior, com apoio do Canal Brasil. Faremos também o encerramento do ano da França no Brasil, e com isso faz parte da programação uma grande mostra de filmes franceses inéditos de temática lgbt.
Você assinou por dez anos no Jornal Folha de S. Paulo, a coluna GLS na Revista da Folha. Como era escrever para um público gay em um jornal de grande circulação nacional e o que mudou hoje em relação a escrever para o público gay?
FISCHER - Na Folha escrevia não apenas para o público gay, mas para um público bem maior que se interessava pelo tema. A coluna acabava de uma certa forma apresentando a comunidade para a sociedade. Era sempre importante ter isso em mente. Quando a coluna começou, em 1996, não havia muita gente conectada na internet e ela acabava sendo o principal veículo de informação para uma parcela significativa da comunidade gay. Era uma baita responsabilidade...
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Os gays hoje têm uma maneira diferente de pensar e agir dos gays de 15 a 30 anos atrás, o que contribuiu para ter essa mudança?
FISCHER - A internet certamente mudou tudo, a começar pela maneira de nos vermos. Ganhamos força ao poder encontrar e trocar experiências com semelhantes.
Como você enxerga esse público daqui a 50 anos?
FISCHER - Idealmente não haverá mais esse conceito gay, como algo separado do resto. Já é o que começa a acontecer em lugares onde essa questão está mais avançada, como nas capitais de países nórdicos...
Como surgiu a revista Junior? E como você define o perfil da revista?
FISCHER - Era um sonho antigo e finalmente sentimos que nós e o mercado estávamos maduros e que havia chegado a hora de ter uma revista gay não-erótica, de qualidade no Brasil. Tanto que na sequencia vieram outras...
Quais são as maiores dificuldades na elaboração de uma edição da revista?
FISCHER - Encontrar a fórmula que seja de agrado do público e, sobretudo no nosso caso, derrubar a barreira do preconceito que ainda existe no mercado publicitário. Mas essa também é nossa missão.
Escrever para esse público é difícil?
FISCHER - Nada, já escrevo para o público gay há 16 anos...
COMO O MUNDO VIROU GAY? CRONICAS SOBRE A NOVA ORDEM SEXUAL. Como foi feita essa pesquisa até chegar a esse material incrível que é o livro recém lançado?
FISCHER - Pra começar, obrigado ; -) O livro é uma coletânea de textos que já havia publicado na Folha, na internet e outras revistas entre 1995 e 2008. Mas reescrevi e reeditei quase todos eles. Foi muito interessante reler coisas que já havia escrito e poder pensar sobre aqueles assuntos, dar uma nova visão mais apurada.
Na minha pesquisa tinha uma entrevista sua na revista ISTOÉ, onde você falava sobre casais gays em adotar filhos. Você adotaria uma criança?
FISCHER - Essa é uma questão que nunca havia passado pela minha cabeça em função da vida agitada e com constantes viagens que sempre tive. Mas a medida que o tempo passa, tenho conversado com meu parceiro sobre essa possibilidade. Quem sabe daqui a pouco???

RAPIDINHAS
GAY POLÍTICO: Se fôssemos mais políticos conseguiríamos nossos direitos
CINEMA: Ainda a melhor diversão
DJ: Sou ex-DJ, mas ainda me considero
BEIJO GAY EM NOVELAS: Drama
AMIGOS: Minha segunda família
GUS E WALDO: LIVRO DO AMOR: Para mim um dia divertido traduzindo uma linda história de amor, contada com singeleza
TWITTER: ANDRE FISCHER
RIO / SÃO PAULO: Rio E São Paulo: a vida que pedi a Deus.

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